Óculos Inteligentes do Google: Teste Revela Como Eles Podem Fazer Você Usar Menos o Celular

A maior parte de nós pega o celular dezenas de vezes por dia — para olhar o mapa, responder uma chamada em vídeo ou buscar algo no Google. O gesto virou automático. O problema: ele rouba atenção o tempo todo.
É justamente essa dependência que o Google quer desafiar com sua nova geração de óculos inteligentes. E ele não é o único. A disputa agora é por quem vai liderar o próximo grande salto da computação pessoal: dispositivos leves, discretos e capazes de usar IA para entender o ambiente ao redor.

O Google já tinha apresentado seus protótipos no ano passado, mas recentemente abriu uma demonstração mais completa para alguns veículos, incluindo a CNN. A intenção foi mostrar como o software evoluiu e dar uma amostra do que está por vir quando os óculos forem lançados no próximo ano.
Se funcionar, pode ser o primeiro passo para um mundo em que não puxamos o celular a cada poucos segundos. Mas isso ainda é um grande “se”.

O Fantasma Do Google Glass Ainda Assombra

A empresa já tentou entrar nesse mercado antes — e falhou. O Google Glass, lançado há cerca de dez anos, foi criticado por três motivos:

  • Era feio e caro
  • Era limitado
  • E gerou um enorme debate sobre privacidade, já que filmava discretamente

Hoje, o Google não depende de hardware para sobreviver — sua receita vem de busca, anúncios e nuvem. Mas isso não diminui a importância da disputa. Para as gigantes de tecnologia, óculos inteligentes do Google são vistos como a próxima plataforma computacional, assim como celulares foram há 15 anos.

Juston Payne, diretor de produto responsável pelo Android XR (a base dos novos óculos), resume bem o espírito interno:

“A história da tecnologia é feita de novas plataformas. Vemos a mesma transição acontecendo agora.”

A competição não é pequena. A Meta, por exemplo, comemora vendas muito fortes de seus óculos Ray-Ban com IA, que esgotaram em poucos dias na última atualização. O setor inteiro tenta, há anos, transformar óculos e headsets em algo realmente cotidiano — e até agora não conseguiu.

Óculos Que Entendem, Respondem e Transformam o Que Você Está Vendo

Assim como o modelo da Meta, os óculos do Google permitem fazer várias coisas sem tocar no celular:

  • Tirar fotos
  • Obter rotas
  • Atender ligações
  • Perguntar sobre o que aparece na sua frente

Em testes recentes, foi possível fazer perguntas como:

  • “Preciso ler os outros livros dessa série?”
  • “Esses pimentões são apimentados?”

Tudo isso só olhando para o objeto.

A empresa também mostrou avanços curiosos (e um pouco preocupantes). Ao tirar uma foto do ambiente, o sistema aplicou uma transformação instantânea, recriando tudo como se fosse o Polo Norte — usando o modelo Nano Banana, voltado para edição ultrarrápida.
O impacto é impressionante. Mas reacende a preocupação: até que ponto é seguro um dispositivo que captura e modifica imagens em segundos, sem esforço e sem alguém perceber?

O Google sabe disso. E tenta evitar repetir o erro do passado. Agora, assim como nos Ray-Ban da Meta, há uma luz que indica quando a câmera está ativa ou quando o modelo de IA está processando imagens. Além disso, o usuário consegue apagar histórico, comandos e atividades pelo app Gemini.
Como Payne explicou:

“Óculos podem fracassar se não forem socialmente aceitos. Privacidade não é detalhe; é critério de sobrevivência.”

Eles São Melhores Que o Celular Em Algumas Coisas — Mas Não Substituem o Celular

A promessa mais sedutora desses óculos é simples: permitir que você pare de olhar para baixo o tempo todo.

imagem Óculos Inteligentes do Google

Em vez de conferir o mapa no celular a cada esquina, uma seta aparece próxima ao seu campo de visão, acompanhada de instruções por áudio. Em conversas com pessoas de outros idiomas, a tradução surge na sua linha de visão, sem tirar você do momento.

Mas nem tudo flui tão bem assim.
Durante a demonstração, houve situações em que a IA respondeu antes da hora, ou o usuário falou antes dela estar pronta para ouvir. Essas pequenas “quebras sociais” ainda mostram que o dispositivo exige adaptação — e, claro, reforçam por que o celular continua sendo insubstituível (por enquanto).

Payne admite isso com tranquilidade: os óculos não foram criados para matar o smartphone, e sim para ocupar um novo espaço de uso — algo entre o celular e o que seriam futuros computadores vestíveis.

O Google deve lançar duas versões:

  1. Uma com visor, que mostra informações na sua visão
  2. Outra apenas com áudio, para quem prefere discrição

A empresa também fechou parceria com marcas como Warby Parker e Gentle Monster para criar modelos estilizados. Ainda não há data exata de lançamento nem valores.
E existe ainda um terceiro protótipo mais robusto, com duas telas internas para gráficos complexos — mas esse não foi detalhado.

O Impacto Vai Além Do Google

O Android XR, sistema usado nesses óculos, não é exclusivo. Assim como o Android tradicional, ele já está sendo oferecido a outras empresas que querem criar dispositivos parecidos. Samsung e Xreal estão entre os primeiros parceiros.

E quando perguntaram ao CEO da Xreal o que aconteceria com seu negócio caso a “onda da IA” fosse apenas hype, ele foi direto:

“IA é real.”

Fonte: CNN Business